Comunidade Cristo Rei (Matriz)

“…retalhos da nossa história, bonitas histórias que meu povo tem…” (Música :Ofertório do Povo – Zé Vicente)

1940 – A Comunidade Cristo Rei, constituía-se pela aglomeração de pequenas casas, em torno da produção de carvão para as siderurgias Belgo Mineira e Acesita. ”Por influência religiosa, o Sr .Manoel Izídio Cardoso, que era encarregado dos serviços da Belgo Mineira, conseguiu com o Padre Deolindo Coelho, vigário de Coronel Fabriciano, que nesta época era chamado de Calado, rezar uma missa mensal.”

1953 – Existia na Vila, uma capela simples. Situava-se onde, hoje é, a rua Ponte Nova. Padre Deolindo constituiu padroeiro de Ipatinga, São Roque, que mais tarde, foi mudado para Santo Afonso, pelo redentorista Pe. José de Castro. O hino foi composto para o padroeiro, de domínio popular. Porém, algumas pessoas, diziam ser de autoria do Pe. Américo.

Hino a Santo Afonso Maria de Ligório

Santo Afonso Maria de Ligório,
Missionário e fecundo escritor,
Difundistes com zelo incansável
O evangelho de Nosso Senhor.
A santíssima Virgem Maria
Teve em ti um leal defensor.
Como filho de mãe piedosa,
De suas glórias tu foste o cantor.

Padroeiro bondoso e querido,
Ipatinga te quer venerar.
Abençoa esta terra tão boa,
Para que possa Jesus sempre amar.

Santo Afonso Maria de Ligório,
Sempre, sempre seguiste a Jesus.
E por isto ante os olhos trazias,
O presépio, o sacrário e a cruz.

Tu dizias: aquele que reza
Terá força, no céu há de entrar,
Mas aquele que ama Maria
Por Jesus vai sua alma salvar.

E mais tarde, vieram os padres Silveira, José Brandão e José Gonçalves (este veio poucas vezes). O que mais prestou assistência espiritual na comunidade, foi o Padre José de Castro.

1955 – Em setembro, aconteceu a Primeira Festa de Nossa Senhora do Rosário.
Os festeiros e reis foram D. Ita Drumond e o Sr. Joaquim Caetano. Abrilhantou a festa, o grupo de Congado do Ipaneminha, a convite do Padre José de Castro.

Padre Renato, começou a dar assistência á comunidade, vindo quase todos os finais de semana para celebrar missa, que aconteciam, aos domingos, pela manhã e era rezada em latim.

Padre Renato é que orientava para a escolha dos príncipes e princesas para a festa, os alunos que obtivessem as melhores notas na escola. Como Ipatinga não tinha casa paroquial, os padres hospedavam-se na casa do Sr. Raimundo Anício Alves.

Primeira crisma no povoado – Veio administrar a crisma na capela, o bispo auxiliar de D. Helvécio, D. Daniel Baeta Neves, o mais famoso hóspede naquela época. Os alunos do Grupo Manoel Izídio, foram recebê-lo na entrada da pequena rua do Comércio e D. Bizuca, que era diretora, fez-lhe uma belíssima saudação.

Um outro redentorista que deu assistência espiritual á comunidade, foi o Padre Leão, que não chegou a cavalo como os demais, mas numa moto possante.

1957Primeira Missão Padre José de Castro, organizou uma missão com a presença dos missionários: Padre José Cozzi e Padre Alberto Vieira. O enfeite dos andores para as procissões, eram de responsabilidade das filhas de Maria.

Durante a missão, havia missa todas as manhãs, com pregações. Vinha gente de toda as regiões: Paraíso, Mesquita, Joanésia, e outros lugares da redondeza. Foram dias felizes, cheios de muita fé e de muito movimento. Os missionários cantavam com fé e entusiasmo:

“ Só nas santas Missões nós temos .Uma festa bonita assim. É o começo de lá do céu.
Onde a festa não tem mais fim.”

Ainda neste ano, o Padre José de Castro, foi substituído pelo Padre Renato que mandou construir um quarto no fundo da capela para morar e se alimentava na casa do Sr. Jujuca e da D.Geralda, que moravam ali perto.
Ipatinga ainda era uma pequena Vila com cerca de 300 habitantes e 60 casas.

Nesta época, o filantropo Sr. Jair Gonçalves, havia doado o terreno, onde hoje fica a Igreja Matriz, na Avenida 28 de abril. Padre Renato achou que a construção neste local, não teria espaço para o povo ficar do lado de fora. Combinou então, com o Sr. Jair, a construção da Igreja, num lugar com maior espaço e escolheu onde funcionou a antiga Fundação Lucas Machado, na Rua Pouso Alegre.

Assim, a comunidade, mais uma vez, foi providenciar fundos para construir no referido local, chegando a ser feito todo o alicerce. Entretanto, só havia moradores na rua do Comércio e a pequena população, não estava satisfeita com a nova mudança de local, pois a igreja, ficaria muito distante para todos.

1962O Cruzeiro Como estava na época de novas missões, construiu-se um marco religioso de madeira, O Cruzeiro, trabalhado pelos moradores do Prato Raso, hoje Novo Cruzeiro, sob a liderança do Sr. João Patrício de Araújo.

Um fato pitoresco: Ergue-se o Cruzeiro, que foi levado pelos homens. Estavam com dificuldades de levantá-lo porque era muito pesado e grande, feito de braúna.

Então, Padre José Cozzi, subiu sobre ele e disse:
“Em nome de Jesus, podem levantá-lo, que nós vamos levá-lo sem muito sacrifício.”

E para surpresa de todos, o Cruzeiro foi carregado para o local onde se iniciava a nova construção, na rua Pouso Alegre. Hoje, ele está no trevo que vai para o bairro Cariru, e foi levado pelos membros do Lions Pioneiro. Com o passar do tempo, Padre Renato junto com os outros padres, foram removidos pela diocese. Para receber um marco tão importante,Maria Weber de Oliveira (D.Bizuca), compôs esta  poesia:

O Cruzeiro  – Uma história de Fé e de amor á cidade de Ipatinga

Erguendo os braços para os céus, a cruz
Qual vigia, do dia, o clarão a esperar
Acompanha o que vai, abençoa o que fica
Ouve a voz do silêncio, ouve o grilo a cricrilar
Ele não se estremece ao torpor da cidade
que se agita, veloz, sobre as rodas do andar
Como a empurrar o tempo prá modernidade
mas, do tempo Deus é o eterno Senhor!

Sem lei, nem artigos
o projeto passou…  dois traços apenas
e a cruz se formou.

A tora calada, cortada, lavrada
por mãos calosas do trabalhador
Somou tanta ideia, juntou tanta graça
Entre hinos e palmas o povo cantou!

E de Ipatinga o marco entrou na história…
também em cada peito em cada memória!

Borboletas passaram, “cavalos de judeu”…
voaram passarinhos; nem sei se voltam mais
O missionário se foi.. a missão acabou
As “gentes também passaram
O cruzeiro ficou! A história o enalteceu
e o espírito do Amor permaneceu.

Espírito é sopro, é brisa leve
Sopro de Vida, alma de minha cidade
Ipatinga, que te amo!
Cruzeiro, que te quero!

1963 – A população foi crescendo e D. Helvécio criou a nova Paróquia em 11 de fevereiro, cujo padroeiro passou a ser Cristo Rei.

A imagem do novo padroeiro, foi doada por João José de Oliveira (João Dominguinhos), Raimundo Oliveira Silva (Nhô do Zeca), José Servo Araújo (Sr. Jujuca) e Raimundo Anício Alves.

O andor foi doado pelo Sr. Sósthenes Sinval de Araújo (Sr.Nenego), dono de uma serraria, hoje a rodoviária, construído por ele e seus filhos.

Festa do novo padroeiro – A imagem de Cristo Rei, saiu da casa do Sr. Raimundo Anício, em procissão. Veio abrilhantar a festa, a banda de música de Coronel Fabriciano.

Novo pároco – Foi nomeado o Padre João de Oliveira, vindo de Santa Maria de Itabira. Foi recebido com uma grande festa, pois, afinal, a comunidade teria um pároco. Pe. João começou a construir a matriz no local onde Padre Renato tinha recusado: na Rua do Comércio – atual Matriz. Foi motivo de grande alegria para toda a população, que já era bem maior, com a chegada da Usiminas. A comunidade desenvolveu intenso trabalho Pastoral junto aos seus moradores do centro., mas seus principais animadores, participaram de maneira destacável no trabalho de unidade e coordenação no conjunto de toda a paróquia: Maria Weber de Oliveira ( D. Bizuca), Marina Oliveira Soares de Oliveira, Maria Mirtes Oliveira Reis, Sebastião Guedes Bicalho, Alexandrina Araújo Silva, Bernardina Sena de Assis e José Orozimbo da Silva.

Referências: – Livro de Tombos – Paróquia Cristo Rei – 1953 a 1962
– Livro – Nossa Vida. Nossa Gente. Uma feliz trajetória.
Autora: Ita Drumond Ataíde – 2005
– Coletânea Ipatinga, Cidade Jardim – volume 1.
– Depoimento Valtair José Calixto

Festa do(a) Padroeiro(a): Novembro Endereço: Av. 28 de abril, 583 – Centro
Ipatinga
Coordenador(a): Elias Gomes de Souza Vice-Coordenador(a): Judysson Andrade Sesto